Igreja, cooperação e missão – Renildo Diniz

Uma das experiências mais marcantes na minha vida foi o de poder pastorear um rebanho. Ser pastor. É bem verdade que o tempo passa rápido e quando menos esperamos já aconteceram várias coisas. Lembro-me que quando mais novo e na ânsia de iniciar o ministério vinham como torrentes na mente tantas ideias que nem podia contê-las, era uma vibração extraordinária, mas como disse, o tempo passa e então nos percebemos menos ansiosos. No entanto mais firmes quanto às ideias.

Tenho pastoreado a Igreja Batista Esperança há cinco anos e me impressiono com o que Deus vem fazendo nessa comunidade, a forma como ela tem abraçado novos desafios e se colocado na brecha. No início herdamos uma igreja que já tinha vivido muitas experiências, mas Deus tinha reservado para nós algo bastante desafiador ao ponto de nos fazer repensar certos valores e paradigmas que na verdade, só perpetuava um comportamento letárgico e infrutífero quanto à integralidade do evangelho.

Foram neste ponto que começaram os nossos desafios; sabe quando Deus resolve lhe fazer uma visita, bem foi exatamente isso que aconteceu, Deus nos visitou e apontou o dedo bem no nosso nariz e disse que estava na ora de promovermos seu Reino de verdade. Isto foi tão impactante na vida da nossa igreja que não sabíamos exatamente o que fazer e por onde começar – digo que foi importante a parceria com amados mais experientes que nós. Fomos desafiados a fazer uma releitura dos evangelhos, da vida de Jesus e de nossa própria vida enquanto igreja, agência do Reino.

Pastor de uma igreja com mais de quarenta anos, incomodava o fato dessa igreja não ser reconhecida pela própria redondeza e não contar com a simpatia dos seus circunvizinhos, para mudar este quadro firmamos o compromisso de sermos uma igreja relevante para nossos vizinhos, abrangemos a visão e nesta releitura descobrimos que o ministério de Cristo sempre foi itinerante, fora das paredes institucionalizada das nossas organizações, foi uma revolução na mentalidade e prática da igreja.

Abraçamos uma comunidade vizinha do bairro, não com a intenção de fazermos assistencialismo, mas de nos envolvermos com as dores e lutas dessa gente tão sofrida. Vale lembrar que não é possível fazermos qualquer coisa que seja se não liberarmos nossos membros para um visionamento, posso afirmar que o Senhor nos deu soldados valorosos que não medem esforços e mais que isso são engajados até o pescoço com a obra do Reino. Todos estes esforços mudaram a dinâmica da igreja, somos um povo antenado com a realidade, saímos da caixa para enfrentar o mundo.

Talvez a essa altura você pense que somos hoje uma comunidade madura e experiente, não se iluda ainda estamos muito longe. O que de fato mudou foram os nossos olhos, a maneira como enxergamos o nosso papel nesse cenário, repensamos a nossa maneira de ler e aplicar as escrituras, começamos a perceber que o Reino de Deus e seu evangelho é para o homem todo não apenas para alma. No momento em que escrevo este testemunho estamos em uma série de mensagens que chamamos de “Missão Urbana, o desafio da cidade”, isso para lembramos que estamos em um contexto urbano que nos desafia a um olhar de compaixão pelas nossas cidades.

O texto que nos inspirou foi Mateus 9.35-38, observe apenas três partes do texto: primeiro, Jesus percorria as cidades e povoados, esse era seu ministério itinerante, segundo, usava uma metodologia muito simples, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando as doenças e enfermidades. e em terceiro, Jesus pede aos discípulos que roguem a Deus por mais trabalhadores, bom quando eu estava pregando neste texto na primeira mensagem da série e vi todas aquelas pessoas olhado para mim, vi nelas a resposta de Deus a oração dos discípulos, se os apóstolos oraram por mais ceifeiros então eles estão sentados nos bancos das nossas igrejas, foi isso que entendi o que precisamos é nos por de pé tomar posição e fazermos o que fomos chamados para fazer, sermos cooperadores na missão de Deus.

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